A Influência da religião no futebol brasileiro é um dos temas da série Chuteira Preta

‘Chuteira Preta’ estreia no dia 13 de julho, às 21h, no canal por assinatura Prime Box Brazil

Junho de 2019 – Eles são a maioria absoluta entre os jogadores de futebol e por isso centralizam o poder de decisão nesse esporte: os evangélicos. A religião usada como ameaça dentro e fora dos campos é um dos temas abordados na série de TV sobre o submundo do futebol ‘Chuteira Preta’, protagonizada pelos atores Márcio Kieling e Nuno Leal Maia. A obra, que estreia no dia 13 de julho, às 21h, no canal por assinatura Prime Box Brazil, divulga cartaz (baixe aqui) e teasers oficiais: ‘A  Manipulação da Fé’ (assista), ‘O Submundo do Futebol’ (assista), ‘O Lado B do Futebol’ (assista) e ‘Chantagem’ (assista).

‘Chuteira Preta’ traz à tona os elementos obscuros que têm contribuído para o declínio precoce de carreiras de jogadores e prejuízos financeiros milionários. Na ficção, o submundo do futebol é exposto por meio da mistura de extorsões financeiras, prostituição, compra de resultados de partidas pela máfia russa de apostas, boicotes dos próprios atletas como forma de rebelar-se contra o sistema, corrupção de dirigentes e tráfico de drogas, entre outros assuntos.

A religião entra em campo para ajudar atletas a superar traumas da infância, geralmente, de origem no ambiente familiar, que se tornam barreira ao desempenho técnico e à imagem pública. “No mínimo, 50% dos jogadores são evangélicos. A explicação me parece óbvia: falta de estrutura. Quando você não tem equilíbrio emocional e psicológico, quem te der a mão, você vai atrás. Quem exerce esse papel é a religião”, explica o diretor e roteirista da série Paulo Nascimento.

Ele acrescenta que o domínio estabelecido pela religião sob os atletas pode, nem sempre, ser tão bom. “Evangélicos podem até derrubar o técnico, se assim quiserem. Eles são um grupo fechado de jogadores nos vestiários dos clubes com regras e comportamentos específicos”, pontua Nascimento. Ele conclui: “Toda segmentação é perigosa”.

Confira a seguir os personagens antagonistas da série ‘Chuteira Preta’, que remontam aos principais arquétipos do submundo do futebol.

 Vários jogadores de futebol são ligados ao Pastor Carlos (interpretado pelo ator Nelson Diniz). Faz da igreja uma rentável fonte de dinheiro, especialmente, abastecida pelo futebol. É viúvo e tem uma relação conflituosa com a filha.

Neco (Luis Navarro) é um jogador religioso, ligado ao Pastor Carlos e um dos líderes do vestiário. Acaba se transformando em um dos melhores amigos do protagonista Kadu e insiste que a solução dos problemas dele está em Jesus. É ele quem o apresenta ao pastor.

Travis (Marcos Breda) foi criado no mesmo bairro que Kadu viveu. Foi para o tráfico de drogas, o destino mais comum que poderia ter sido o do jogador. É ex presidiário e assaltante de taxistas. Virou religioso e trabalha para os que estão dentro da cadeia.  

Tonho (Cristiano Garcia) é o capanga responsável por operacionalizar as piores ações do ‘mentor da fé dos jogadores’, que é o Pastor Carlos.

Diogo (Rafael Sieg) é amigo e ex-cunhado do jogador Kadu. Entra para o lado obscuro e perverso da vida, para se livrar da repressão do pai. Tem um carinho e uma submissão a Kadu, fazendo parte do lado “putaria” da vida do atleta.

Os teasers e cartaz também remetem aos personagens centrais da narrativa. Os protagonistas são o jogador multipremiado que não tem mais o bom desempenho em campo Kadu (Márcio Kieling) e o ex-craque de 1970 que ajudará o sobrinho atleta a reencontrar o futebol-raiz Jair (Nuno Leal Maia).

A vilania volta à cena com o pai ausente que vive às custas do filho jogador Cedenir (Kadu Moliterno), a ex-esposa que chantageia o ex-marido atleta em prol de vantagens financeiras Flávia (Karin Roepke), o presidente corrupto do time de futebol Dr. Sangaletti (Zé Victor Castiel) e o chefe de torcida que faz do crime uma prática comum aos interesses do esporte Carniça (Allan Souza Lima).

Produzida pela Accorde Filmes, a série ‘Chuteira Preta’ tem pesquisa de roteiro baseada em análise de mídia e entrevistas com profissionais da área, entre eles psicanalistas, técnicos, dirigentes e jogadores. Mas, é válido salientar, trata-se de uma obra de ficção. 

Paulo Nascimento tem no portfólio importantes premiações do audiovisual, como Festival de Cinema Brasileiro em Toronto/Canadá, Festival de Gramado e Festival de Cinema de Piriápolis/Uruguai. Já dirigiu os longas-metragens ‘A Oeste do Fim do Mundo’ (2014) e ‘Em Teu Nome’ (2010), as séries de televisão ‘Animal’ (2014/GNT) e ‘Fim do Mundo’ (2011/RBS), além de peças teatrais.